Projeto Recupera Caatinga aposta na preservação da biodiversidade e no desenvolvimento sustentável em parceria com três comunidades tradicionais para melhorar a qualidade de vida das pessoas e o meio ambiente na região.

Recuperar a Caatinga. Esta expressão poderia ser apenas um chamado, normalmente utilizado por ambientalistas ou pessoas que seguem orientadas pela missão de recuperar o único bioma exclusivamente brasileiro, entretanto ela também deu vida ao Projeto Recupera Caatinga, que foi aprovado na Seleção Pública do Programa Petrobras Socioambiental e hoje conta com o patrocínio da empresa. A iniciativa beneficia diretamente 270 famílias quilombolas, incluindo crianças, jovens, mulheres e adultos. Durante 24 meses, estima-se que mais de 500 pessoas participem das ações e atividades previstas nas comunidades de Jatobá II, município de Cabrobó, e Cupira e Inhanhum, na cidade de Santa Maria da Boa Vista.

A equipe técnica de campo iniciou o processo de mobilização nas comunidades para cadastramento das famílias e também a aplicação de questionários etnobotânicos e etnobiológicos, que favorecem o resgate e a socialização sobre as plantas existentes na região, valorizando a troca de conhecimentos populares e científicos. O Projeto Recupera Caatinga também fez uma seleção de 30 guardiões e guardiãs de sementes crioulas, que são jovens e agricultores/as familiares que por gerações plantam, armazenam e trocam suas sementes e vão participar do projeto nos próximos dois anos. A ideia é expandir as estratégias de conservação das espécies a partir da identificação daquelas que foram utilizadas no passado e das sementes que são usadas atualmente.

“Aceitar o desafio de ser guardiã de semente é antes de tudo acreditar que o projeto tem muito a contribuir com a transformação ambiental e social das comunidades. A minha expectativa é vivenciar as atividades, as rodas de conversa, de modo que eu tenha a oportunidade de adquirir e usar os conhecimentos para o bem e crescimento do lugar em que vivo”, afirma Natália Cecília, moradora de Cupira, uma das guardiãs.

As três comunidades começaram a receber, em fevereiro, as mudas nativas que estão sendo plantadas nas áreas degradadas já identificadas pela equipe. Popularmente conhecido como ‘viveiro de mudas’, as unidades comunitárias estão sendo construídas em regime de mutirão com os moradores e tem o apoio dos Agentes de Proteção Ambiental (APA’s) que fazem parte da equipe do projeto. Ainda durante o mês, foram feitas coletas de amostras de solo para identificar a fertilidade e a quantidade de carbono encontrada. De acordo com o coordenador do projeto, Alexandre Pereira, após a conclusão do processo de análise, serão definidas alternativas de ampliação da estocagem de carbono pelas plantas e através do solo.

Entre as dezenas de atividades previstas para acontecer ao longo de dois anos de atuação do Projeto Recupera Caatinga, algumas se destacam, a exemplo da realização de oficinas comunitárias para indicações de plantas resilientes; intercâmbios para troca de experiências relacionadas à conservação de sementes, tecnologias de convivência com o Semiárido e produção agroflorestal; implantação de bosques climáticos e de casas de sementes, sendo uma por comunidade; expedições de coletas de sementes e criação de um campo de estágio para alunos do 3° ano do curso técnico de Agropecuária do IF Sertão Campus Santa Maria da Boa Vista.

Além das ações que contribuem com as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o projeto ainda prevê a realização de formações na área de comunicação para disseminar conhecimentos sobre literatura de cordel, fotografia, rádio e audiovisual. Assim, os participantes poderão multiplicar os saberes nas suas localidades enquanto comunicadores populares, animando o processo de comunicação a partir do trabalho comunitário desenvolvido.

Bioma
O projeto tem atuação no Semiárido brasileiro, onde prevalece o bioma Caatinga que ocupa uma área de 734.478 km². Sua biodiversidade também é única no mundo e sua vegetação diversificada inclui pelo menos 932 espécies, sendo 380 endêmicas, ou seja, exclusivas da Caatinga. Dados revelam que a região semiárida nordestina será uma das mais afetadas no Brasil pelas mudanças climáticas globais.

Pandemia de Covid-19
Apesar do Projeto Recupera Caatinga ter iniciado suas atividades em meio à pandemia do novo Coronavírus, o cronograma de ações é desenvolvido com respeito aos protocolos de segurança como uso de máscara, álcool gel e distanciamento social. Como forma de evitar o contágio, ainda não foram realizadas atividades coletivas em ambientes fechados e todas elas ocorrem com a presença de um número baixo de participantes. Diariamente a equipe técnica fornece orientações e oferece apoio necessário para manutenção permanente das medidas de prevenção da doença nas três comunidades quilombolas.

Parcerias
O Projeto Recupera Caatinga é uma realização do Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe (Chapada), com patrocínio da Petrobras por meio do programa Petrobras Socioambiental. Como parceiros dessa iniciativa estão o Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não Governamentais Alternativas (Caatinga), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cabrobó, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santa Maria da Boa Vista, Prefeitura de Santa Maria da Boa Vista, Prefeitura de Cabrobó e Instituto Federal Campus Santa Maria da Boa Vista.