Início da formação do Chapada

Depois de mais de duas décadas de atuação no Semiárido pernambucano, o Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe (Chapada) celebra a fase adulta, colhendo os frutos do trabalho desenvolvido nos Sertões do Araripe e São Francisco.

Criado em 1994 por um grupo de técnicos/as e agricultores/as familiares, o Chapada tem sede em Araripina e, desde a sua fundação, segue com a missão de fortalecer o desenvolvimento socioeconômico, político e cultural da agricultura familiar através da recuperação e preservação do meio ambiente por meio da agroecologia e efetivação da cidadania no semiárido brasileiro.

Atualmente a organização tem quatro projetos em execução. O Programa Cisternas nas Escolas prevê a construção de tecnologias hídricas para armazenamento de água para o consumo humano em escolas rurais, combinado ao processo de formação sobre convivência com o Semiárido e educação contextualizada com a comunidade escolar. O projeto beneficia os municípios de Araripina, Cabrobó e Orocó.

Ainda no campo das construções de tecnologias sociais, o Chapada executa o Projeto Pernambuco Mais Produtivo, que incentiva a produção de alimentos agroecológicos, por meio da implementação de cisternas-calçadão, que guarda até 52 mil litros de água das chuvas para irrigar quintais produtivos e criar pequenos animais.  A ideia é construir 1.780 tecnologias em 22 municípios até o final do projeto.

Na região do São Francisco, o projeto Quintais que Mudam o Sertão presta assistência técnica agroecológica a famílias agricultoras. A produção e o plantio de mudas nativas, o aumento e a diversificação da produção de hortaliças e frutíferas, assim como a criação de pequenos animais, aparecem como resultados que contribuem com a melhoria da qualidade de vida dos/as agricultores/as familiares.

O trabalho voltado para mulheres é tratado como uma prioridade para o Chapada. Nesse sentido, desde o ano passado, mulheres mandiocultoras dos sete municípios do Araripe estão sendo capacitadas em técnicas sustentáveis de cultivo da mandioca e formação sociopolítica, com ênfase na organização social e nos direitos de cidadania de mulheres.

No âmbito das articulações e parcerias, estas ações são financiadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) e pelas Secretarias Estadual da Mulher e da Agricultura e Reforma Agrária. A organização também integra a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), e é filiado a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG).

“É com muita alegria que celebramos os 23 anos do Chapada, que durante esse tempo de trabalho, tem contribuído com a construção de um Semiárido justo e soberano. Atualmente, olhando para conjuntura nacional, estamos vivenciando um desmonte nas políticas públicas voltadas para agricultura familiar, mas continuaremos de cabeça erguida, já que temos o grande desafio de lutar pela construção e manutenção das políticas que garantem às famílias agricultoras, o direito a uma vida digna no Semiárido”, destaca o coordenador geral do Chapada, Alexandre Pereira.

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