Ideia é fazer intercâmbio de práticas, técnicas e experiências entre Brasil, Argentina e El Salvador

Fonte: site Brasil de Fato PE

O projeto propõe a valorização dos conhecimentos dos agricultores e agricultoras familiares, povos originários e quilombolas – Manuela Cavado

Para valorizar e estimular o conhecimento local, o projeto “Daki – Semiárido Vivo” vai formar técnicos e gestores a partir da sistematização das boas práticas de Agricultura Resiliente ao Clima (CRA) contribuindo para a troca de experiências entre três regiões diferentes da América Latina: Semiárido do nordeste brasileiro, o Chaco argentino e o Corredor Seco de El Salvador.

A sigla Daki, do inglês, significa Conhecimento sobre a Adaptação às Terras Secas (Dryland Adaptation Knowledge Initiative) e visa auxiliar os técnicos e agricultores em lidar com as mudanças climáticas.

“O projeto vai fazer um mapeamento de boas práticas em certas áreas de resiliência climática, como por exemplo de acesso à água, conservação do solo, manejo e vai construir um material para fazer a capacitação de técnicos e extensionistas rurais, tanto de agências públicas quanto de entidades privadas”, afirmou o Oficial de Programas do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) para o Brasil, Hardi Vieira.

O projeto acontecerá em duas etapas. O primeiro é o mapeamento e sistematização das boas práticas e em seguida será montado um currículo baseado nessa pesquisa e uma plataforma de Ensino à Distância para a formação de técnicos e gestores.O Daki vai trabalhar o processo de resiliência climática especialmente por causa das mudanças climáticas que vem acontecendo no Semiarido brasileiro, então o projeto visa que os agricultores e técnicos estejam melhor preparados para lidar com essas mudanças.

“O Semiárido é a área de enfoque do FIDA no Brasil, principalmente porque é centro da pobreza rural no país. Dessa maneira, o FIDA tem concentrado durante muitos anos suas ações nessa área e temos também uma coerência muito grande nessas ações que apoiamos em nível estadual e federal”, analisou Diretor-País do FIDA, Claus Reiner.

O projeto propõe o que os conhecimentos dos agricultores e agricultoras familiares, povos originários e quilombolas sejam utilizados pelas universidades, centros de pesquisas e até pelo próprio governo. “Sempre que se olha para as regiões, sobretudo para as famílias camponesas, se parte de um pressuposto de que esse é um povo atrasado, que é um povo que precisa de ajuda e essa ajuda está em algum outro lugar, geralmente está na Academia”, disse Antônio Barbosa, coordenador do projeto na Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que conclui “A proposta do Daki é inverter essa lógica, é dizer que o conhecimento está nessas comunidades e como a gente faz para que as universidades e centros de pesquisa reconheçam esse conhecimento ”.

O compartilhamento de informações das diferentes regiões com clima semiárido na América Latina propõe a inovação a partir da análise sobre o desenvolvimento das formas de produção a partir da proteção e cuidado do Meio Ambiente. “Estamos falando de uma união, de uma forma de juntar pessoas nessa perspectiva de tentar mudar cada região dessas. Então, a importância é cada região conhecer a outra, é poder influenciar e poder criar uma perspectiva de desenvolvimento econômico e ecológico, ou seja, ‘como é que eu melhoro a vida das pessoas sem destruir a natureza?’ Muito pelo contrário, protegendo a natureza ”, ressaltou o coordenador.

“O FIDA é uma organização pequena e sabemos perfeitamente que o desafio do desenvolvimento rural é grande demais para enfrentar sozinho, então essa aliança é essencial para chegar a um público grande e também para poder utilizar os conhecimentos e a experiência dessas organizações no processo”, destacou Claus. A iniciativa está sendo realizada pela parceria do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) da Organização das Nações Unidas (ONU) com a Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) no Brasil; a Fundapaz, na Argentina; e Funde em El Salvador.

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